Quantas marcas existem penduradas em seu guarda-roupas? Quais espaços você gostaria de frequentar com naturalidade? Isso tudo é somente um desejo fútil de um consumo compulsivo, ou há algo muito maior, mais revelador, mais sombrio, sobre você mesmo e sobre a sociedade em que você vive?
O ser humano não consome produtos, consome símbolos. E todo símbolo nasce de um conflito antigo: o medo de não pertencer e a necessidade de ser alguém.
Um é instinto de sobrevivência, e o outro é instinto de relevância. É entre esses dois polos que você constrói sua identidade — tentando não desaparecer na massa, tentando não ser expulso dela.
Vamos trazer isso para um exemplo contemporâneo: Uma Ferrari não é apenas um carro, ela é uma insígnia.
Objetivamente, sua função continua sendo a mesma de qualquer outro automóvel: levar alguém de um ponto a outro.
Quando alguém possui uma Ferrari, não está apenas adquirindo um bem material. Está adquirindo uma mensagem silenciosa sobre quem é, sobre o lugar que ocupa e sobre a forma como deseja ser percebido pela sociedade.
E é justamente por isso que símbolos possuem tanto valor. Eles não atendem apenas necessidades práticas, mas sim necessidades humanas.

Claro, nem todo mundo almeja um carro de luxo. Às vezes é a melhor escola privada da sua cidade para o seu f ilho, um plano de saúde de alto padrão, uma casa com grande terreno e bem
localizada, ou até mesmo uma viagem internacional uma vez ao ano.
Mas você pode então dizer: “Ora, mas isso não é luxo, é necessidade.”. Sim, é a sua necessidade, na sua realidade. E a sua necessidade pode ser considerada algo fútil para outra pessoa em outro contexto.
No Brasil, onde o básico é precário, obásico vira privilégio. E tudo que ultrapassa esse básico — que apenas uma minoria alcança — se torna símbolo de distinção, e símbolo é
poder.
A Arquitetura de Marca visa projetar tais conceitos simbólicos que conversam com a psique humana. Não para deixar empresas bonitas, mas para construir sistemas simbólicos capazes
de acionar desejo, pertencimento e distinção. Marcas fortes não vendem utilidade, elas vendem o lugar social onde o consumidor está — ou onde gostaria de estar. E é por isso que elas
não competem por preço. Preço é para quem vende objeto. Valor é para quem vende insígnia.
Sua empresa ainda vende por preço ou é desejada por valor percebido pelo seu cliente? Em outras palavras, você está construindo uma Marca, ou apenas operando uma empresa e se
estrangulando para vender mais?

Eu repito a pergunta: Você é fútil? O seu cliente é fútil por desejar o seu produto? Ou estamos falando de algo mais profundo — um desejo ancestral de pertencer, sobreviver e se
destacar dentro da sociedade em que vivemos?
Artigo | Revista Conexão Network



